COMPORTAMENTO

“Vou deixar este mundo sem me sentir triste. Odeio a era atual, me faz vomitar”

Amanda Nunes Brückner | 26/02/2021 | 5:17 PM | MIDIA
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Delon em 1960 (esq.) e atualmente

(Texto publicado na página Toca do Lobo)

′′Vou deixar este mundo sem me sentir triste com isso. A vida não me atrai muito. Já vi tudo, já vivenciei tudo. Mas acima de tudo odeio a era atual. Estou farto dela! Há criaturas que eu realmente odeio. Eu realmente odeio a época em que vivemos, isso me faz vomitar.Tudo é falso, tudo é substituído. Todo mundo ri um do outro sem olhar pra si mesmo! Não há respeito pela palavra dada. Só dinheiro é importante. Nós ouvimos falar de crimes o dia todo. Eu sei que vou deixar este mundo sem me sentir triste com isso!”

Estas duras e sinceras palavras foram ditas por Alain Delon, ator de 85 anos, que já foi considerado durante décadas o homem mais belo que já apareceu nas telas de cinema.

Bonitinho, mas ordinário, ou apenas realista?

Delon, que mora sozinho fora de Paris, disse à revista Paris Match, em uma entrevista franca e reveladora, na qual admitiu não ser muito pai para seus filhos, um dos quais ele ainda se recusa a reconhecer, que deseja que seu pastor belga, Loubo, morra com ele.

“Se eu for antes dele, vou pedir ao veterinário para irmos juntos. Ele vai injetar algo nele para que morra em meus braços. Eu prefiro isso, em vez de deixá-lo morrer de tristeza em meu túmulo”.

O ator, que fez seu nome interpretando lindos garotos assassinos e canalhas, falou também sobre seu medo de ser desenterrado após sua morte para um testes de paternidade.

“Eu disse à minha filha: Por favor, não deixe isso acontecer comigo quando eu estiver morto’”.

Delon negou por muito tempo que teve um filho com Nico, a bela musa de Andy Warhol.

No entanto, a mãe de Delon posteriormente adotou o menino, tornando-o seu meio-irmão.

A própria infância miserável de Delon o marcou muito, conforme disse à revista.

“Meus pais se livraram de mim quando eu tinha quatro anos. Acabei ficando com uma família adotiva, como um órfão. Os dois só voltaram correndo para mim quando eu era famoso. De repente, eles se lembraram que tinham um filho”, disse ele amargamente.

Ele também não os perdoou por assinarem seus papéis do exército para que ele pudesse ser lançado na sangrenta Guerra da Indochina aos 17 anos.

“Foram eles se livrando de mim pela segunda vez”, lamentou-se o ator.

Delon atribuiu sua tumultuada vida amorosa e muitos de seus infortúnios com as mulheres ao fato de ser abandonado.

“Você não pode ter de volta o amor que não foi dado a você quando criança. Esses são buracos que nunca podem ser preenchidos. Mesmo quando eu amo uma mulher, eu me sinto sozinho. Eu tinha apenas quatro anos quando entendi que aqueles que você ama, podem abandonar você.”

Lamúrias estranhas para um homem que sempre teve todas mulheres caindo ao seus pés, mesmo quando bebê, não acha?

“Minha mãe teve que colocar uma placa no meu carrinho: ‘Você pode olhar, mas não pode tocar!’ Admito que poucos homens foram tão desejados como fui, mas isto não basta.”

Aproveitando o gancho, Delon disse que nunca dormiu com Brigitte Bardot, que foi a Vênus de seu Apollo no cinema francês dos anos 1960.

“Por mais estranho que possa parecer, dadas as cenas tórridas que fizemos, éramos apenas amigos, mas bons amigos”, disse sobre a atriz, que, como ele, apoia o partido Frente Nacional, de extrema direita .

“Gosto muito dela e partilhamos uma paixão pelos animais. Se ela não tivesse o seu grande amor pelos animais, tenho a certeza de que já teria se matado, como tantos outros grandes símbolos sexuais. É muito difícil para uma mulher não mais ver o desejo nos olhos dos homens.”

A entrevista, um tanto amarga, só comprova o que sempre digo: não importa quem você seja, todos têm os seus fantasmas para lidar.

Talvez o grande segredo seja saber dançar com eles, na melodia que a vida toca, seja você o homem que intimidava até Mick Jagger, frente às mulheres, ou o mais comum dos homens.

Como diria um sujeito que mesmo sem a sorte da beleza de seu contemporâneo Delon, tornou-se um gigante em sua Terra:

“É preciso saber viver…”

(Texto publicado na página Toca do Lobo – visite a página neste link)