POLÍTICA

NOVA COMISSÃO DA VERDADE

Bolsonaro escolhe militares e filiados ao PSL para comissão de mortos e desaparecidos

DANIEL CARVALHO,Folhapress qui, 1 de ago 16:28 BRT

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) escolheu correligionários e militares para compor a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos do governo federal.

A troca ocorre uma semana depois de a comissão ter emitido documento no qual reconhece que a morte de Fernando Santa Cruz, pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ocorreu “em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado Brasileiro”.

Na última segunda-feira (29), Bolsonaro disse que poderia explicar a Felipe Santa Cruz como o pai dele desapareceu durante a ditadura militar. A declaração foi repudiada por entidades, e a comissão alvo das mudanças desta quinta-feira pediu explicações ao presidente.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos informou que, apesar de os nomes dos quatro novos membros terem sido divulgados no Diário Oficial da União apenas nesta quinta-feira (1º), as trocas promovidas foram solicitadas em 28 de maio “como parte de iniciativa para otimizar os trabalhos”.

“O interesse deste ministério é acelerar o serviço para que os familiares requerentes obtenham a respostas sobre o paradeiro de seus entes queridos”, informa a nota.

Dos sete integrantes da comissão, três são de livre escolha e nomeação, inclusive o presidente da comissão. Os outros quatro membros, segundo legislação de 1995, têm que ser oriundos da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pessoas com vínculos com mortos ou desaparecidos e integrantes do Ministério Público Federal e do Ministério da Defesa.

O colegiado foi criado em 1995 no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Dois filiados ao PSL, partido de Bolsonaro e seus filhos, passaram a integrar a comissão.

O novo presidente é Marco Vinicius Pereira de Carvalho. Advogado, natural do Rio de Janeiro, tem 45 anos, é assessor especial da ministra Damares Alves (Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) e é filiado ao PSL de Santa Catarina desde março de 2018.

Foi candidato a segundo suplente de Lucas Esmeraldino (PSL-SC), derrotado na eleição para o Senado, em 2018. Dez anos antes disputou pelo então PMDB uma cadeira de vereador em Taió (SC).

O deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) também ingressou no colegiado por integrar a Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Na semana passada, protocolou na PGR (Procuradoria-Geral da República) pedido de prisão temporária do jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, que tem publicado desde 9 de junho reportagens com base em diálogos vazados do ministro Sergio Moro e de procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

Os outros dois novos membros da comissão são militares. O coronel reformado Weslei Antônio Maretti e o oficial do Exército Vital Lima Santos, assessor do chefe de gabinete do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

Deixaram o grupo Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, procuradora da República e ex-presidente da comissão, Rosa Maria Cardoso da Cunha, ex-integrante da Comissão da Verdade e defensora de perseguidos políticos, João Batista da Silva Fagundes, coronel da reserva e ex-deputado e o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).

Eugênia, Rosa e Pimenta haviam sido indicados pela então presidente Dilma Rousseff (PT). A primeira, em 2014. Os demais, em 2015.

Já João Batista foi indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2003.

Da antiga configuração, permanecem Ivan Cláudio Garcia Marx, representante do Ministério Público Federal, e duas representantes de familiares, Diva Soares Santana e Vera Silva Facciola Paiva.

Diva foi nomeada em dezembro de 2005 por Lula. Ivan e Vera são nomeações feitas por Dilma em 2015.

Na manhã desta quinta-feira, Bolsonaro disse que a mudança de quatro dos sete integrantes se deu pelo fato de agora o Brasil ter um governo de direita.

A amizade que vai beneficiar o Brasil.