ARTE

Memórias e saberes das “Matriarcas” são tema de exposição na Estação Cultura

Memórias e saberes das “Matriarcas” são tema de exposição na Estação Cultura 

Quem são essas mulheres que perpetuam a potência das Culturas Populares e Tradicionais na cultura da nossa região? A documentarista visual Fabiana Ribeiro mergulhou em territórios ricos e férteis para mapear o retrato das memórias, saberes, fazeres e a herança cultural da potência feminina. Em fotografias, livro e audiovisual, o público poderá conferir o resultado da empreitada no projeto “Matriarcas”,   contemplado pelo Edital nº 26/2018 do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

O registro da iniciativa estará em exposições fotográficas itinerantes por Campinas, em três  espaços públicos: Estação Cultura, Casa de Cultura Tainã e Casa de Cultura Itajaí. A abertura acontecerá na Estação Cultura no dia 5 de julho, sexta, a partir das 19h.

A mostra reúne vários elementos simbólicos do universo feminino e a da cultura popular. As fotos, nas dimensões 2,50 metros x 1,50 metro, são impressas em tecido que passou por um trabalho artesanal de bordado, realizado por Martha Alves, ex-integrante do Urucungos. As fotos são acompanhadas de textos que narram um recorte da trajetória dessas mulheres. 

“Retratar essa força  feminina  em suas memórias, em seus saberes e documentar a herança do seu legado em um material riquíssimo foi o que o projeto Matriarcas fez durante os cinco meses iniciais”, conta Fabiana Ribeiro.

Entre conversas e saberes

Durante o decorrer do projeto, iniciado no final de 2018, a autora conversou com mulheres, comunidades e grupos, resultando  em retratos de  22 mulheres,  cerca  de  600 imagens das atividades e mais de 20 horas de gravações. 

“O projeto reconhece a importância de trazer para a narrativa o ponto de vista de um dos segmentos mais invisíveis, anônimos e discriminados da sociedade brasileira: as mulheres. E dentro do segmento, dar a devida visibilidade às mulheres negras”, destaca a autora, lembrando, ainda, das homenagens “à Vó Geralda, mãe de TC Silva, da Casa de Cultura Tainã, que faleceu em 2018, aos 101 anos; e também à  Mãe Isabel, irmã de Mãe Eleonora e Mãe Eliana, falecida em 2018, uma mulher com um trabalho reconhecido dentro da economia criativa”.

Durante a abertura da segunda itinerância da exposição, na Casa de Cultura Tainã, haverá o lançamento do livro “Matriarcas”, que contém fotos e uma breve biografia de cada uma das mulheres retratadas. A publicação será  destinada a espaços culturais públicos, como bibliotecas, casas de cultura e  Centros de Artes e Esportes Unificados.  

Força matriarcal

Participaram das rodas de conversa, os coletivos  Caixeiras das Nascentes e Casa de Cultura Tainã, Comunidade Tradicional Senhora dos Ventos, Grupo de Dança Afro Oju Oba,Tabuleiro Ancestral, Ponto de Cultura Caminhos em Hortolândia, Comunidade Jongo Dito Ribeiro, Casa de Cultura Fazenda Roseira , Instituto Baobá de Cultura e Arte – Ponto de Cultura e Memória Ibaô, Urucungos Puitas e Quijengues.

Segundo Fabiana, foram retratadas 22 mulheres: Ana Miranda, Sinhá Rosário, Manô, Luiza e Maria Lúcia, Maria Angélica, Ivani e Isabel,do Urucungos; Alessandra Ribeiro, Maria Alice Ribeiro, Jacinta Brito e Lúcia Castro e Vera Zuin, da Comunidade Jongo Dito Ribeiro. Das Caixeiras das Nascentes,  Cristina Bueno e sua mãe Dolores Bueno; Mãe Iberecy, Adriana Gama e Marilene Honorato, do Ibaô.

Em Hortolândia, Mãe Elonora e Mãe Eliana. Ernestina Estevam, a Dona Tina – mãe de Alceu Estevam, assim como Rosa Pires, viúva de Mestre Alceu, também tiveram seu registro fotográfico realizado.

Todas as rodas de conversas originaram documentários. 

“Para mim, elaborar e realizar ‘Matriarcas’ foi uma grande experiência. Apesar de já conhecer um pouco da energia incrível dessas mulheres, no decorrer do projeto mergulhei ainda mais nessa força “matriarcal”, essa energia feminina poderosa”, contextualiza a autora. 

“Cada matriarca foi fotografada em seu ambiente e, por mais que montássemos um estúdio com condições de luzes semelhantes em todos os retratos, a energia de cada uma delas em harmonia com o ambiente que pertencem, trouxeram luzes e cores diferentes umas das outras. Essas características individuais, que formam um conjunto de mulheres fortes e lindas, são a fonte de inspiração e de resistência de uma potente cultura ancestral”, reflete.