Literatura

ALYSSA, ESSA CRÔNICA É PARA TI …

Minha boneca. Tanto tempo longe de ti. Não pude ter o teu carinho, e dar a minha bênção, o tempo todo,  como tantas avós deste mundo. Quando nascestes e partistes no colo de tua mãe naquele avião que levaria 14 horas eu só pude chorar, me desesperar e afuntar na tristeza da depressão

.Depois foram viagens e viagens e dias apertados de encontros festivos. Quando eras pequena deixei de ir ao parquinho perto de casa. Ficava feio, as pessoas que passavam, vendo minhas lágrimas escorrerem perto das crianças como tu.
Perdi a conta destas tristezas das idas e das voltas. Até que meu coração acabou se resignando por morares em um país melhor do que o meu. E custou para que eu entendesse, que a minhã pequena ação no mundo é aqui no meu adorado Brasil. Talvez seja uma pretensão, talvez um delírio ou uma fuga.

Agora, mais do que nunca – um ano quase – por causa da pandemia e eu aguentei, estou aguentando. Rezo todas às noites, para que ainda tenho a felicidade de te abraçar, beijar-te, colocar-te no meu peito igual quando tua mãe ficava doente e eu cantava na surdina “colo de mãe cura qualquer doença…” Salve minha Alyssa. Que a vida tenha o peso que tu possas suportar.

Neusa Leoncini