INTERNACIONAL

A HIPOCRISIA DOS DEFENSORES DO CLIMA

Daniel Lopez

Jornalista e teólogo, autor de ‘Manual de Sobrevivência do Conservador no Séc. XXI’. É doutor em linguística pela UFF
Pura propaganda
Neomarxismo climático e o óleo de perobaHipocrisia verde

Por
Daniel Lopez
02/11/2021 20:15
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Salvar o clima para destruir o capitalismo| Foto: Galen Johnson
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O mundo deseja convencer-nos de que os líderes globais estão completamente engajados na defesa do meio ambiente, enquanto fazem um espetáculo à parte que vai em sentido contrário ao discurso propagado. Joe Biden, por exemplo, segue determinado a elevar os EUA à posição de líder global contra a crise climática. Para isso, com a maior naturalidade, chega à capital italiana, para o encontro do G20, acompanhado por uma carreata de “apenas” 85 veículos. Diante da enorme contradição, a colaboradora da Fox News, Lisa Boothe, chamou o presidente americano de “esquerdista de limusine”, um equivalente à expressão brasileira “socialista de iPhone”. Apontando outras contradições, a jornalista comentou que, por mais estranho que pareça, o Partido Republicano tornou-se aquele que mais representa os trabalhadores americanos, enquanto o Partido Democrata consolidou-se como o grande defensor das elites nacionais, que voam pelo mundo nos poluidores jatos particulares enquanto pregam a redução das emissões de carbono. Só pode ser uma miragem isso, uma ilusão, uma alquimia mental. Alguém ainda acredita nessa narrativa?

Talvez o problema seja a hipocrisia. John Kerry, chamado pela mídia de “czar do clima” de Biden, afirmou que o metano chega a ser quase 80 vezes mais prejudicial quando comparado ao CO2. Ao mesmo tempo, Kerry viaja mundo afora com seu jato particular, que apenas neste ano já emitiu quase 30 vezes mais carbono do que a média dos aviões comerciais. Em reportagem recente, a Fox News calculou que o jato do enviado especial dos EUA para o clima já lançou na atmosfera cerca de 138 toneladas métricas de carbono, isso apenas no período entre 10 de janeiro e 6 de agosto. Ao mesmo tempo, o presidente americano será o primeiro a utilizar o novo avião presidencial, o Força Aérea Um, fruto de um projeto de modernização que vai custar ao contribuinte uma bagatela de US$ 5,3 bilhões. Como se não fosse suficiente, em meio aos acalorados discursos contra a poluição, por volta de 400 jatos particulares chegaram a Glasgow para a COP26, a cúpula do aquecimento global. As quatro centenas de aeronaves devem emitir cerca de 13.000 toneladas de dióxido de carbono. Fica claro que a defesa do meio ambiente não é prioridade.

Existe, por trás de toda a celeuma em torno do assunto, um enorme fundo geopolítico. Hoje sabemos que a produção nacional dos mais diversos países está diretamente associada ao aumento de consumo de energia, e por consequência, da produção de gases poluentes. Isso não precisa ser assim. Pode mudar. Mas hoje, da forma como a coisa está, algumas nações estão aproveitando para enriquecer mais do que aquelas que aceitaram os acordos climáticos. Basta você perguntar: quais nações não aderiram ao último pacto proposto em Roma? Os vilões da mídia, EUA e Brasil? Não, ambos integram o grupo que já compõe 103 países que concordaram em emitir menos metano. China, Rússia e Índia não aceitaram a proposta. Assim, continuarão produzindo energia, emitindo poluentes e seguindo na corrida contra seus concorrentes. Se os EUA reduzirem sua emissão de carbono e a China continuar aumentando sua produção, inclusive por meio das usinas de carvão, ela conseguirá ultrapassar Washington ainda mais rápido. E o noticiário seguirá dizendo que os vilões do clima são americanos e brasileiros. Só continua crendo nisso quem não dedica cinco minutos por dia para se informar.

EM INGLÊS .

Save the climate to destroy capitalism | Photo: Galen Johnson

The world wants to convince us that global leaders are fully engaged in protecting the environment, while putting on a show that goes against the mainstream. Joe Biden, for example, remains determined to elevate the US to the position of global leader against the climate crisis. For this, with the greatest naturalness, he arrives in the Italian capital, for the G20 meeting, accompanied by a motorcade of “only” 85 vehicles. Faced with this huge contradiction, Fox News contributor Lisa Boothe called the American president a “limo-leftist”, an equivalent to the Brazilian expression “iPhone socialist”. Pointing out other contradictions, the journalist commented that, strange as it may seem, the Republican Party has become the one that most represents American workers, while the Democratic Party has consolidated itself as the great defender of national elites, who fly around the world in polluters private jets while preaching the reduction of carbon emissions. This can only be a mirage, an illusion, a mental alchemy. Does anyone still believe in this narrative?

Perhaps the problem is hypocrisy. John Kerry, called Biden's “climate czar” by the media, said that methane is nearly 80 times more harmful compared to CO2. At the same time, Kerry travels around the world with his private jet, which this year alone has emitted nearly 30 times more carbon than the average for commercial aircraft. In a recent report, Fox News calculated that the US special climate envoy's jet has already released about 138 metric tons of carbon into the atmosphere, in the period between January 10 and August 6 alone. At the same time, the US president will be the first to use the new presidential aircraft, Air Force One, the result of a modernization project that will cost the taxpayer a trifle of US$5.3 billion. As if that wasn't enough, amid the heated anti-pollution speeches, around 400 private jets arrived in Glasgow for COP26, the global warming summit. The four hundred aircraft are expected to emit about 13,000 tons of carbon dioxide. It is clear that environmental protection is not a priorit

There is, behind all the hype surrounding the subject, an enormous geopolitical background. Today we know that domestic production in the most diverse countries is directly associated with increased energy consumption, and consequently, with the production of polluting gases. It doesn't have to be that way. It can change. But today, as it stands, some nations are taking the opportunity to get richer than those that accepted the climate agreements. Just ask: which nations did not adhere to the last covenant proposed in Rome? The media villains, USA and Brazil? No, both are part of the group that already comprises 103 countries that have agreed to emit less methane. China, Russia and India did not accept the proposal. Thus, they will continue producing energy, emitting pollutants and following the race against their competitors. If the US reduces its carbon footprint and China continues to increase its output, including through coal plants, it will be able to overtake Washington even faster. And the news will continue to say that the villains of the climate are American and Brazilian. Only those who do not devote five minutes a day to inform themselves continue to believe in this.
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