Literatura

A CRUZ

Sangrava. Pior, muito pior do que as outras vezes. Antes, mesmo que nao enxergasse havia minúscula luz, que acendia e apagava no final de um buraco negro.
Agora, nem ela mais existia. Era tudo breu. Como um relâmpago alucinatório veio a imagem do passado. Junto com o desespero do “porque não houve um “déjà vu” do futuro”?. Mistério.
Sempre achou que o caminho já estava traçado no mapa das digitais, nas linhas da mão, que agora mostravam com clareza o envelhecimento inevitável.
Descobriu tarde demais, que eram sim as más escolhas que desabavam no insucesso.
Fora orgulho e pretensão, uma mistura fulminante que acomete os incautos na rota pela vida.
O “insight” explodiu com a clareza de uma lua cheia , transbordando iluminação. Estava ali, de conjunto branco de linho e o senhor tentava repreendê-la – “não faça isso, não dará certo, é uma das suas ilusões. Escolha o que desejar, inteligência não lhe falta, nem vontade de começar outra estrada”.
Não quis saber, a pretensão arvorou-se na soberba estúpida dos ignorantes pretensiosos.
“Não, não, não, quero mostrar que sou capaz de vencer de novo e mostrar quem sou .
“Voce decide, espero que não se arrependa”.
A previsão do desastre caiu como uma nuvem preta carregada de maus augúrios. E lá ficou sentada na ponte, contando as horas, os minutos e segundos para a hora fatal, que nunca chegava… TEXTO DE ENEIDA CELESTE