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Papa Bento 16: “Estamos numa ditadura mundial. Um credo ao anticristo”

Guilherme Santiago | 01/08/2020 | 7:23 PM | INTERNACIONAL
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Em fevereiro de 2013, o agora papa emérito Bento 16 chocou o mundo quando se tornou o primeiro pontífice a renunciar em quase 600 anos.

Em abril deste ano, foi lançada uma biografia de Bento XVI que aborda a vida pessoal de Joseph Ratzinger ao longo de mais mil páginas, incluindo uma entrevista inédita em que ele fala sobre uma “ditadura mundial” de um credo anticristão.

Em passagens da conversa com o jornalista Peter Seewald, autor de várias entrevistas a Joseph Ratzinger, divulgadas pela imprensa, o Papa emérito alerta para o impacto de “ideologias aparentemente humanistas”, lamentando que alguns o queiram “calar”, fruto de uma “distorção maligna da realidade”.

O livro ‘Bento XVI – Uma Vida’ destaca a amizade do Papa emérito com o seu sucessor, Francisco, sublinhando que, apesar de polêmicas que supostamente os colocariam em campos opostos, a relação “não apenas persistiu, como cresceu”.

Ratzinger, aos 93 anos, reitera as críticas ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao aborto e à procriação artificial que fez ao longo do seu percurso como teólogo, responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé e sucessor de São João Paulo II.

“Há um século seria considerado absurdo falar sobre casamento homossexual. Hoje, quem se opõe a ele é excomungado da sociedade. Acontece a mesma coisa com o aborto e a criação de vida humana em laboratório”, afirmou o papa.

Ele acrescentou que “a verdadeira ameaça para a Igreja é a ditadura mundial de ideologias que se pretendem humanistas (…), a sociedade moderna está formulando um credo ao anticristo que supõe a excomunhão da sociedade quando alguém se opõe”.

Além de Joseph Ratzinger, foram entrevistados o seu irmão e vários colaboradores do Papa emérito, abordando as circunstâncias da sua renúncia.

Bento XVI revela que, tal como os santos Paulo VI e João Paulo II, tinha assinado uma declaração de renúncia no caso de uma “doença que tornasse impossível o bom exercício” da sua missão “relativamente cedo” no seu pontificado, iniciado em 2005.