Literatura

APENAS UM DIA DE CHUVA

Neusa Leoncini

Saio para um compromisso no bairro. Sigo as ordens dos meus médicos nesta idade provecta “tem que andar, tem que andar”…Deixo o carro na garagem, calço meus tênis confortáveis e lá vou eu disposta e bem-humorada.
As nuvens cinzas não demoram a disparar uma chuva intermitente, mas a tempos de entrar no supermercado para uma pequena compra que vivou grande – como sempre.
Sem paciência de esperar mais um pouco, arrisco nova caminhada e me resguardo na bela Igreja Nossa Senhora das Dores.
Meus olhos se extasiam com a luminosidade das cores postas em dourados artisticos de infinita beleza.
A paz dos mosteiros sempre aplacam minha natureza rebelde, aflita, ansiosa.
Mas a vida exige retorno ainda mais que o funcionário avisa – “dona, estamos fechando”… Sempre pensei que as Casas de Deus ficassem sempre abertas.Não é possível – seriam arrasadas pelos furtos e degradação.
Tento chamar um táxi, um uber, inútil. Em casa, ninguém… Atravesso a rua para chegar à Romana e enxarco as pernas no aguaceiro.
Penso – sem importância – um bom motivo para degustar meu croquete favorito. Os salgados da Romana sempre foram “salgados”, mas gostosos. Peço café descafeínado, porque este não me faz mal, como não faz a ninguém, que tem problema com cafeína.
Outra surpresa negativa – o bolinho de carne já não é mais o mesmo – excesso de sal e perdeu o gosto de antigamente.
É…como dizia o filósofo – ninguém se banha nas águas do mesmo rio.